quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Ela disse adeus e chorou,







Foi... pra longe. Naquela tarde de domingo de um verão de 1942. Plena guerra e meu coração na mão.
Aqui, apenas aqui, meus relatos. Numa velha lembrança. E já faz tempo. Estamos em 1948, a guerra já acabou, e dela. Nenhuma notícia.
Tínhamos planos: um filho ou dois, partir pra América e recomeçar. Juntos.
Mas saímos do controle e ela partiu. O mal que lhe fiz é quase que imperdoável, mas eu a amava mais do que amava o fato de vencer a guerra. Mas ela partiu, e eu, que me achava corajoso, fui o mais covarde de todos.
Lembro-me de sua face me olhando de dentro da janela do trem. Seus olhos azuis se destacavam no cenário de fumaça preta que encobria o céu. Naquele momento ela não chorou. Talvez por saber que aquilo era certo. Mas eu não me contive, logo que o trem desapareceu no seu infinito trilho meus olhos estavam numa sensação indefinida, marcada por lágrimas que tentei esconder sem motivos, lá não havia conhecidos. Ela não me ama mais! Foi a conclusão que cheguei quando decifrava o olhar de desprezo do meu amor. Agora será tudo mais fácil pra ela. Só espero que não sofra tanto quanto eu. Mas eu a amei, amo e sempre vou amar, mesmo que ela não sinta o mesmo e não derrube as mesmas lágrimas que esperei quando ela disse Adeus.

... Partida do trem!
- Minha jovem. Está bem?
-(entre soluços) Não, infelizmente não.
- Mas estamos indo pra um lugar longe dessa confusão, fique bem!
- Eu sei. Mas não é isso.
- O que é então?
- Perdi um amor.(chora)
- Acalme-se minha querida, deite-se aqui e desabafe.
- Achei que ele me amava. Mas me disse Adeus. E pior do que isso foi que até o trem perder a vista da estação olhei pra ele da janela esperando a lágrima. Aquela que representaria o quanto ele estava sofrendo. Ele nunca me amou. Mas vou continuar o amando e rezando pra que sobreviva.
-Deite-se e respire.

Nenhum comentário:

Postar um comentário