terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Eu e Melissa, o mar e Melissa.




Só a observava andando...

- Mel, cuidado que as ondas são traiçoeiras.
- Relaxa Marcus. Vem aqui,vem. O que foi? Tem medo da água.
- Quando tem uma sereia aí pra me encantar, claro que tenho.
- Que sereia. Ta doido.
- Não vou nem ferrando senão você me leva pro fundo do mar e me mata afogado Se bem que não seria má ideia ir pro fundo do mar contigo e nunca mais voltar.
- Ah, para de desculpa. Vem aqui amor.
Meu medo estava me dominando. Uma mistura de medo e ansiedade pra dizer a verdade. E aquele paraíso tornava a cena ainda mais cinematográfica. Ela, eu e o mar, seria mais perfeito se não fosse esse medo.
- Mel, vem aqui!
- Ah Marcus, vem pra cá você.
- Não, eu quero falar contigo. Sério.

 Ela veio, meu medo aumentou, e fiquei anestesiado com a imagem da mulher mais linda que já tive a oportunidade de conhecer vindo a minha direção correndo, cabelo ao vento, um ar de mulher e ao mesmo tempo de criança impressionada com o mar. E eu só assistia, e aqueles passos dela até mim se tornaram uma cena lenta, e pude sentir até seu respirar ao longe.
- Amor?
- Oi.
- O que você tem? Está bem?
- Sim. E como não poderia estar com o lugar perfeito e a mulher perfeita.
- Ah, que ótimo. Então somos dois.
- Mas Mel, eu queria falar sério com você

De repente ela deu pra trás com um ar angustiado, provavelmente lembrando-se da viagem que fiz a cidadezinha da minha avó, e fiquei alguns dias longe dela. Com certeza pela aquela cabecinha meio louca se passavam alguns pensamentos ruis.

- Calma Mel, não é nada muito grave. Alias, é sim. Mas não é nada mal. Eu acho.

Pronto. Deixe-a mais confusa ainda.

- Tudo bem Marcus. Pode falar.
- Lembra da viagem que fiz a casa da minha avó?
- Claro que lembro né. Uma semana sem você...
- Então, fui lá resolver algumas coisas que interessam a nós dois.
- Nós dois?
- É, eu até queria te levar, mas estava com medo, receoso. Ainda estou na verdade. Serei bem sincero com você, até porque nossa relação foi sempre baseada nisso.
- Sim, você sabe que eu odeio mentiras. E Marcus, se você me traiu, tudo bem. Vamos sentar, conversar, entender o que aconteceu. Não quero decisões precipitadas.
- Não Mel, você está completamente enganada. Presta atenção no que eu vou falar, tudo bem?
- Tá bom.
- Você sabe que eu prezo e muito a minha família, e hoje você também faz parte disso. A história de amor verdadeiro dos meus avós foi a mais linda e verdadeira que já ouvi, meus pais infelizmente não estão mais juntos, e por causa disso por um lado eu deixei de acreditar no "pra sempre". Mas na semana que passei com minha Avó fui tirar algumas dúvidas que ainda tinha. Sabe... ela me contou que meu Avô ainda é o grande amor da vida dela, que mesmo ele tendo partido ela só espera a hora dela, e deixa válido o amor eterno que jurou a ele. Vi fotos, poemas que ele escrevia a ela. Os sonhos que eles tinham e quais concretizaram. As aventuras, tudo mesmo. Foram dias ouvindo coisas preciosas de quem já viveu e muito, e soube amar como ninguém.
- Nossa Ma, muito linda essa tua atitude. Viu, amor eterno existe sim. Não seja orgulhoso como sempre. Eu sei que você não acredita no "pra sempre"...

- Pois é Mel, e essa semana me fez mudar muito. Hoje eu dou valor a você e a não vejo outra mulher ao meu lado.
- Poxa, obrigada. Eu nem vou mais repetir o quanto te amo.
- E Mel, minha avó também aproveitou pra me testar. Se eu realmente amava você, e nos deu um presente.
- O que? A sua avó é um amor. O que? Fala!
Abri as mãos, não soube se os olhos dela brilharam pelo pôr-do-sol atrás da gente, se eram as lágrimas dela, ou as minhas que embaçaram minha visão.
Era o anel mais lindo que já pude ver, e agora ter. Mas por pouco tempo. Não quis mais evitar e arrisquei, sem pensar:
- Aceita se casar comigo?
Foi só isso o que disse. O que consegui dizer. Não tinha palavras. Minha garganta estava seca, estava quase cego e ligeiramente surdo. O amor nos causa breves deficiências.
- Sim! Eu aceito!

Não senti mais nada. Só a brisa, e as mãos geladas da minha Mel. Que me seguraram forte, e me arrancaram do chão, me puxando pra perto de si, e me segurando.
Naquele momento, eu senti o que hoje descobri ser a sensação do amor verdadeiro. Aquela história do "pra sempre".



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