quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Um dia a mais, um dia a menos,


Preocupada com o horário que meu o Lucas vai chegar, não durmo. Acabo-me por tentar achar motivos que me mantenha acordada. Mas o filho que demora e causa insônia é sempre a desculpa que mais convence a quem vê minhas olheiras e meu ar de cansaço. Porque na verdade, me canso á toa, me canso por estar cansada de cada universo inventado, por um mundo implícito que não me trás bem-estar.
Acendo meu cigarro, dou uma olhada na geladeira pra ver se ainda tem a cerveja de domingo, um gole na cachaça e outro na solidão. Lucas será minha desculpa.
Evito até mesmo ligar a Tv, evito novelas, evito comerciais, que pra mim é tudo um grande saco de tolices, gente besta que enfeita a vida.
No trabalho é a mesma coisa, todos os dias, lá invento uma Catarina que não existe, a que está feliz, e tem a melhor família e humor. Só eu e Lucas, que me abandona todas as noites, por estudo ou só porque odeia ficar comigo. Na verdade, acho que ele até tem razão, sou covarde, também odeio a minha companhia.
Quero mais cerveja. Não tem. Tem cachaça, basta. Calmantes, 1,2,3,15. O suficiente pra dar um fim. Cachaça e calmantes, que noite perfeita e romântica pra morrer.
(Campanhia) tindon, tindon!
- Droga, deve ser o Lucas.
Lucas?
- Oi mãe, abre aqui, to apertado.

- Só um minuto.
(abro, depois que escondi tudo)
- To indo direto pro banheiro . Tomar um banho e depois cair na cama. Já jantei. Boa noite!
- Boa noite Lucas.

Das duas vezes que comecei a me questionar ele apareceu em todas, talvez eu demore demais, com profundas esperanças que ele chega e me detenha. Mas de amanhã não passa. Já deixarei a porta destrancada pra que quando ele chegar não se mije na porta.

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